Um vídeo publicado recentemente pelo influenciador e repórter Zé Real, mostrando a situação de ruas esburacadas em Coari, passou a gerar forte repercussão e levantou denúncias de coação contra pais de alunos da rede municipal.
Na gravação, crianças aparecem caminhando e dançando em uma via tomada por buracos e lama, em um tom irônico que chama atenção para a realidade enfrentada por moradores, principalmente estudantes que utilizam o trajeto diariamente. O conteúdo não possui falas e utiliza apenas as imagens como forma de crítica à falta de infraestrutura.
Após a divulgação, segundo relatos, os pais dos alunos que aparecem no vídeo foram chamados pela direção de uma unidade escolar e orientados a tomar providências contra o autor das imagens.
De acordo com as denúncias, os responsáveis relatam coação dentro da escola e pressão para que registrassem boletim de ocorrência. Há ainda relatos de que uma mãe, funcionária vinculada ao município, teria sido ameaçada de demissão caso não buscasse medidas legais.
Diante da repercussão, o influenciador também levanta um questionamento que tem ganhado força nas redes sociais. Ele questiona por que órgãos públicos podem gravar e divulgar vídeos institucionais com a participação de menores, exibindo seus rostos, enquanto cidadãos enfrentariam restrições ou consequências ao produzir conteúdos com teor crítico.
O caso gerou questionamentos sobre possível abuso de autoridade e tentativa de inibir críticas direcionadas ao poder público. O autor afirma que as imagens foram gravadas fora do ambiente escolar e que o objetivo foi expor a situação das ruas e cobrar melhorias.
A situação também levanta o debate sobre o uso da imagem de menores e os limites entre o direito de denúncia e a proteção legal das crianças.
Até o momento, não há um posicionamento oficial detalhado por parte das autoridades. O caso segue repercutindo e pode ter desdobramentos na Justiça.